Você já imaginou sua empresa, que começou pequena em uma cidade do interior, listada em uma bolsa de valores europeia? Essa não é uma fantasia distante, mas a realidade da Prática, uma fabricante de fornos de Minas Gerais que está provando que a tecnologia brasileira é classe mundial.
Internacionalização com sotaque mineiro e padrão global
A trajetória da Prática Klimaquip é o estudo de caso perfeito para o industrial brasileiro. Nascida em Pouso Alegre (MG), a empresa não se contentou em dominar o mercado nacional de equipamentos de panificação e *food service*. Com uma visão ousada, a companhia iniciou um processo de expansão que agora mira a abertura de capital (IPO) na BME Growth, a bolsa de acesso da Espanha, focada em PMEs em expansão. Isso coloca a engenharia brasileira no coração da Europa, competindo de igual para igual com alemães e italianos.
O segredo desse sucesso não foi sorte, foi inovação constante. A Prática investiu pesadamente em tecnologia para criar fornos de alta velocidade (speed ovens) que reduzem drasticamente o tempo de preparo de alimentos, uma dor latente de redes de fast-food como Starbucks e Subway. Ao resolver um problema global (eficiência na cozinha) com um produto robusto, as fronteiras geográficas desapareceram. Hoje, a empresa já possui fábrica nos EUA e escritório em Portugal, mostrando que o "Made in Brazil" pode ser sinônimo de alta tecnologia.
Este movimento de ir à bolsa espanhola visa captar recursos em moeda forte para acelerar ainda mais essa expansão. É a prova de que o empreendedor industrial brasileiro não precisa ficar refém das oscilações do mercado interno; ele pode — e deve — buscar a diversificação de receitas em outros continentes.
O caminho das pedras para exportar sua marca
Para o empreendedor que deseja seguir esses passos, a primeira lição é a certificação. O mercado internacional não perdoa falta de conformidade. A Prática só entrou nos EUA e na Europa porque seus produtos atendem às rigorosas normas de segurança e eficiência energética globais. Investir em ISOs e certificações específicas do seu setor não é burocracia, é passaporte.
Além disso, é crucial adaptar o produto à cultura local sem perder a essência. A empresa mineira entendeu as necessidades das cozinhas compactas europeias e da rapidez americana. Fazer o "dever de casa" de pesquisa de mercado internacional é mais barato do que enviar um contêiner de produtos que ninguém quer comprar.
A governança corporativa é o terceiro pilar. Nenhuma bolsa de valores, seja em SP ou Madri, aceita empresas com gestão familiar amadora. Profissionalizar a diretoria, ter conselhos ativos e auditoria transparente são etapas obrigatórias para quem quer jogar a Champions League dos negócios.
Conclusão
A jornada da Prática de Pouso Alegre para Madri deve servir de inspiração e roteiro. Ela nos ensina que, com produto de excelência e gestão ambiciosa, o interior do Brasil é apenas o ponto de partida. O mundo está faminto por competência, não importa de onde ela venha.
Fonte: CPG Click Petróleo e Gás



