
A muitos surpreende o fato do Movimento em favor do micro e pequeno empreendedor ter nascido em Santa Catarina e em especial em Blumenau. Ou seja, fora do principal eixo econômico e político do Brasil.
Portanto, precisamos voltar no tempo, em especial para 1748, quando começaram a chegar os primeiros imigrantes açorianos à Capitania de Santa Catarina, então escassamente povoada.
Eram pequenos agricultores e pescadores e cada casal recebia 1 sesmaria de ¼ de légua quadrada (1650mX1650m).
Começava um modelo econômico diferente da maior parte do Brasil. O desenvolvimento e a exploração econômica baseada na pequena propriedade de produção agrícola diversificada.
Importante ainda realçar que com a vinda da família real ao Brasil, esta destinou a província de Santa Catarina à pequena propriedade rural a ser explorada por imigrantes de origem alemã, na sua maioria, e em especial no início desta política. Ou seja, um caminho de desenvolvimento diferente do resto do país, que era voltado à monocultura em grandes propriedades exportadoras.
Com a introdução, por parte da monarquia, no tecido social e econômico do país do elemento germânico, surgiu a unidade produtora baseada apenas na família teuto-brasileira e não mais no escravo pois conforme D. Pedro I expôs ao parlamento, “… a instituição da escravatura degradou o trabalho manual aos olhos luso-brasileiros.”
Nas regiões de colonização inicial alemã, verificou-se o surgimento do Mutirão, aqui então chamado de “Ajuntamento” e de forte movimento cooperativista.
Em Blumenau, colônia planejada, fundada e dirigida pelo Dr. Blumenau, a opção pela pequena propriedade era a extensão do mundo de onde provinham os imigrantes. A casa como centro produtivo rural ou urbano em que os papéis do homem e da mulher no processo produtivo eram claramente definidos. Interessante notar que a distribuição de terras na colônia ocorreu ao longo dos rios e ribeirões, sem pre faixas estreitas e compridas de modo a permitir a construção das casas próximo da água e a distância de um berro do vizinho mais próximo em caso de necessidade ou ataque.
Todo o ambiente e as origens de Blumenau e de Santa Catarina estão interligados com o pequeno, a iniciativa, o esforço de muitos em conjunto buscando qualidade de vida para todos.
Portanto percebe-se que para o pequeno agricultor ou pequeno artesão, que compunham a pequena burguesia, eram a base para o modo de produção catarinense.
Mas a evolução do processo econômico modificou o meio ambiente em que se encontravam estas unidades produtivas que, para sobreviver, evoluíram para empresas. Ou seja, o artesão virou empresário. As milhares de famílias catarinenses que formavam a pequena burguesia tiveram que ir alterando sua estrutura e entrando para um mundo que não era o delas. Era o mundo da grande corporação, da interferência do estado em todos as etapas produtivas, da concorrência muitas vezes predatória em vez do cooperativismo.
Obviamente este era um mundo por demais pesado e para o qual não estavam preparadas. É neste ambiente de desencontros e buscas por respostas que Santa Catarina resolveu que por ser diferente deveria mostrar esta diferença. Ou seja, o que valia para todo o Brasil, o mundo da grande empresa não era adequado ao Modelo de Desenvolvimento Catarinense.
Blumenau, em especial, era a síntese deste dilema…
Vendo a profundidade do problema, o Economista Pedro Cascaes em conjunto com inúmeros colegas fez o impossível. Em 1984 modificaram o Brasil. Introduziram no vocabulário brasileiro o termo Microempresário. Da primeira associação (ACIMPEVI hoje AMPE) a confederação (CONAMPE) passando pela federação (FAMPESC), em todas elas como primeiro presidente implantou o conceito Micro. Da surpresa inicial de ver que na realidade o Brasil era muito mais parecido com Santa Catarina do que pensava, pois milhões de pequenos empreendedores estavam estabelecidos em todos os estados à alegria da aprovação do estatuto da Micro e Pequena Empresa Pedro Cascaes vivenciou o nascimento de uma ideia.
Passados mais de vinte anos, ao olhar o realizado, tem o senso crítico de perceber e a frieza de relatar o quão pouco foi alcançado. Para buscar finalmente os sonhos de tantos, sintetiza em um livro tese a visão de desenvolvimento e mundo de tantos buscando de uma vez por todas registrar e oferecer um caminho ao país.
O grande caminho dos pequenos!
Cid Steinbach
Empresário em Blumenau/SC



